quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Olhos cor de Cânhamo


Acordei. Mas por cinco minutos preferi ficar na cama. O dia está frio, é inicio de Julho, dez pras oito, eu ainda tenho de ir trabalhar e Lucy ainda dorme como um anjo, um anjo gordo, mas ainda anjo.
Pus o primeiro pé pra fora da cama, o esquerdo, não acredito em superstições, mas acabei enfiando o pé em um penico. Comi umas bolachas natalinas mofadas que achei no armário, tomei um café, me vesti para o trabalho, peguei minha bicicleta velha e saí.
Antes de ir para o escritório, parei no bar do Jonas pra tomar aquela pinga, ritual feito todos os dias de santo. Uma nova placa engraçada me dá uma triste noticia: “fiado só amanhã”. Em todo meu tempo de bar, nunca deixei de pagar por minhas pingas, exceto este ultimo mês. Mês de vacas magras: mês de cachaça pendurada, contas atrasadas, punheta e falta de amigos.
O caminho até o escritório é muito calmo, tem sempre uma senhora molhando as plantas, pela cara dela devem ser carnívoras devoradoras de humanos, umas crianças jogando futebol na rua, aquele bêbado dormindo na rua e pssssssssssssssssssss! Um pneu furado. Agora é ir a péo resto do trajeto. Não sabia que tinha um cachorro nessa rua, e queria não ter descoberto. Era um desses poodles com cara de gay raivoso, ou “mona revolts” cachorro de madame.  
Pelo fato do Lulu da Rua da Saudade ter corrido atrás de mim, não cheguei atrasado. Uma manhã perdida, tempo passando como uma lesma em dia de chuva, tão bom quanto ver os filmes do Didi e o pior, aquele café gelado com cheiro de sovaco.
Hora do almoço, meu corpo já estava implorando por um pouco de nicotina e alcatrão. Tem um restaurante na quadra de cima do escritório, vou fumando no trajeto e sempre encontro um grupo religioso bradando palavras de ordem á minha pessoa, rogando pragas ao pobre fumo enrolado, “maldito cigarro!” “cigarro é do diabo!” e por aí vai. No restaurante como sempre a mesma coisa, arroz, batatas, carne de porco e o meu favorito: ovos de codorna em conserva! Mas hoje, resolveram fazer uma mudança no cardápio, trocaram a carne de porco por peixe, as batatas por aspargos e os ovos por rabanete! Quem em sã consciência come rabanete?
Pago a conta com o ticket refeição da empresa, são treze horas devo voltar ao inferno, quer dizer, querido escritório. Como é bom um cigarro depois do almoço... Meu ultimo cigarro, ponho na boca, acendo, e noto que está ao contrario. Acabei acendendo o filtro do meu ultimo cigarro, estava prestes a ter um ataque, um surto psicótico, quando me lembro dos meus chicletes de nicotina, do tempo que namorei uma estudante de medicina, tinha tentado entrar na geração saúde, mas um pé na bunda faz tanto mal quanto fumar. Chego em minha sala, abro a gaveta da bancada e os encontro. Masco quatro de uma só vez. Se você fuma, não tente parar, esses chicletes tem gosto de merda ao molho rosè.
Meu trabalho é fácil, fico sentado na minha sala com dois carimbos, um escrito “aprovado” e outro escrito “negado”. Trabalho numa agencia de empréstimos, se eu achar que é um bom negócio, eu posso aprovar, isso na teoria, a verdade é que eu ponho alguns na mesa e faço “minha mãe mandou”. Alguns contemplados vêm me agradecer, e trazem presentinhos, uma vez aprovei credito pra uma mulher que faz esculturas em queijo, ela me deu uma de suas obras, um Mick Jagger feito em gorgonzola.
A secretária veio me dizer que meu chefe quer falar comigo, o que será que eu fiz? Será que não comi a mulher dele direito essa noite? Oh doce Lucy...
Chego à sala dele, ele com aquela cara de chefe, sento na sua frente e ele começa a descer-me adjetivos. Ele revisou os meus créditos aprovados, disse que a guia espiritual dele o mandou fazer isso, e então tomei na minha linda bunda. Parece que aprovei até crédito para um louco que fazia calendários de cachorros transando. O resultado foi o previsto: demissão por justa causa e ainda tive que deixar meu Jagger de gorgonzola praquele gordo.
Saindo do escritório indo pra casa, encontro o Lulu de novo, acho que ele gostou do sabor da minha calça, mas vamos esquecer isso, o que me chamou mais a atenção foi a sua dona, lindos olhos verdes, cabelo louro, branca como cocaína e alguém me diz o que eram aquelas curvas... E os freios me deixaram na mão, a cantada de pedir o telefone do Lulu é cruel, mas o melhor a falar.
Apaixonei-me perdidamente por aquele par de olhos, até o Lulu eu perdoo por aquela mulher, nunca senti isso antes, acho que hoje é meu dia de sorte!


terça-feira, 8 de março de 2011

Viva ao cinema independente!

Todos gostam de um bom filme, certo? Mas será que é necessário gastar milhões pra produzir um? Super-produções, com efeitos especiais magníficos, atores consagrados. Não é preciso ter tudo isso pra se ter um bom filme, há muito mais do que um orçamento milionário por trás desta arte. Assisti um curta muito interessante que gostaria de compartilhar:


"Balada das duas mocinhas de Botafogo"

Depois deste curta, que espero que vocês tenham gostado, só tenho a dizer que temos muita gente boa precisando de espaço por aqui, e não pensaria duas vezes em colocar filmes assim no lugar da novela das oito.